As cores na Maçonaria

  As Cores na Maçonaria


Tem importância extraordinária em Maçonaria, o simbolismo das cores, pois figuram na maior parte das decorações, graus e símbolos, aos quais dão um significado análogo ao que possuíam nos antigos Mistérios. Sem estudar o simbolismo das cores, um Maçom jamais poderá compreender o seu significado nas faixas, nos aventais, nos colares multicores, e na decoração dos Templos, principalmente nos dos Altos Graus. Conforme afirma Luís Umbert Santos:

 “Segundo os ritos e graus, as cores se deslizam, combinam e explicam de vários modos e no fundo de tudo isto a Maçonaria costuma afirmar que as cores se combinam por três, cinco, sete e nove”.(Catecismo Maçônico, pp. 80)


       Talvez  a primeira cor na qual a humanidade atrubuiu significado tenha sido o Vermelho. É provável que o homem tenha começado a utilizar cores há uns 150 ou 200 mil anos atrás. E começou pelos pigmentos naturais à sua disposição, branco da cal, preto do carvão, ocre e vermelho da argila - rica em óxidos de ferro. Segundo A. Kornerupe  e J.H. Wanscher, "o homem da Idade do Gelo enterrava seus mortos em argila vermelha ou pintava-os de vermelho; ele já tinha observado que o fluxo de sangue vermelho significava a diferença entre vida e morte e possivelmente acreditava que a cor vermelha tinha propriedades capazes de sustentar a vida."
A seguir, vamos falar um pouco das origens históricas do uso das cores e seu significado utilizado na maçonaria

 ORIGEM DAS CORES

 

Então qual a origem histórica das cores na maçonaria? Por que foram adotadas estas cores?

Para entender isso recorremos a León Zeldis, Soberano Grande Comendador do REAA do Supremo Conselho de Israel, em um artigo para a revista Engenho & Arte nº 12 (1995).

   Praticamente não há dúvidas de que os Maçons operativos usavam aventais brancos, sem decoração. Muitas pinturas e ilustrações antigas demonstram este fato.
    No retrato de Anthony Sayer, o primeiro Grão-Mestre da Grande Loja de 1717, copiado  de uma pintura de Joseph Highmore, o avental é evidentemente branco, sem qualquer adereço, mostrando a ausência de cor ser universal a todas as patentes.
   No início, a primeira Grande Loja continuou sua tradição operativa. Uma resolução da Grande Loja, de 24 de junho de 1727, ordena que os Veneráveis Mestres e Vigilantes das Lojas usassem “as jóias maçônicas penduradas em uma fita branca.

Nas atas da Grande Loja, de 17 de março de 1731, lemos que “O Grão-Mestre, seu Adjunto e os Vigilantes usarão jóias em ouro ou folheadas em ouro, pendentes de faixas azuis no pescoço, e aventais brancos, orlados de seda azul”.

Os Grand Stewards (Grandes Mordomos) e Past Grand Stewards teriam seus aventais orlados de seda vermelha e faixas vermelhas. Os Stewards (com “D” - preste atenção pois isso será importante no futuro) eram os anfitriões do banquete anual no dia de São João, um cargo de muita honra.

O Azul também é visto como a sequência natural da lenda do Templo do Rei Salomão. Porque os judeus receberam o comando divino de usar [...] uma fita azul” (Números 15:38).


Quanto ao matiz exato de azul, informa-nos o Manuscrito Rawlinson, de 1734, que o azul do avental do Grão-Mestre é caracterizado como garter blue (azul Jarreteira), como também o do Grão-Mestre Adjunto. A cor escolhida para os Grandes Stewards foi o vermelho, da segunda Ordem na hierarquia Nacional inglesa, a Ordem do Banho.

Bernard Jones, ao discutir cores dos paramentos dos Grandes Oficiais, usa o termo azul Oxford (escuro) para eles e o azul Cambridge (claro) para Lojas. Será que devemos concluir daí que a Maçonaria Simbólica tem algo a ver com as duas universidades? Certamente não!  Crowe acredita que o azul claro das Lojas foi adotado para “contrastar com a cor mais escura dos paramentos da Grande Loja, não muito depois que esta cor tornou-se regra”. Apenas por curiosodade, a Grande Loja Escocesa, acompanhou a faixa verde da Ordem do Cardo e a Grande Loja da Irlanda antecipou a formação da Ordem de S.Patrício, em 1788, selecionando o azul claro como cor da Grande Loja (Foi também sugerido que essa tonalidade teve sua origem na bandeira irlandesa à época: azul, com uma harpa em ouro).


Ordem do Cardo


O Simbolismo Maçônico das Cores



a) Branco

Branco, a cor original do avental maçônico, sempre foi considerada um emblema de pureza e inocência, exemplificada em imagens como o lírio branco ou a neve.  Platão declara que o branco é a cor dos deuses. Na Bíblia, Daniel vê Deus como um homem muito velho, vestido com um manto, branco como a neve (Daniel 7: 9).

Branco significa início, virtude, a página branca encarando o escritor, “o espaço onde o possível pode tornar-se realidade”. Compreende-se, assim, que o branco seja a cor da iniciação. É um símbolo de perfeição, como representado pelo cisne na lenda de Lohengrin.

b) Azul

Azul é a cor da abóbada celeste. Dizemos azure (em heráldica), cerúleo ou azul celeste. Universalmente, denota imortalidade, eternidade, castidade, fidelidade. O azul claro, em particular, representa prudência e bondade. No Real Arco (inglês), diz-se ao Terceiro Principal que é o emblema da beneficência e da caridade.

Nos tempos bíblicos, o azul era estreitamente associado ao púrpura. Gerações de eruditos há muito confundiam-se, sem chegar a qualquer conclusão satisfatória, quanto ao significado correto de tchelet (azul claro) e argaman (púrpura).

Somente há pouco foi resolvido o problema, através da pesquisa dos métodos de tingimento e dos materiais corantes utilizados pelos antigos hebreus e fenícios. Descobriu-se que ambas as cores, eram produzidas com corantes extraídos do Murex, um molusco abundante na costa do Líbano. O tchelet era obtido da espécie de espinhos curtos, Murex trunculus, enquanto o argaman vinha de duas espécies, o Murex brandaris, de um só espinho, e também, menos freqüentemente, o Thais hemastoma, de boca vermelha.

c) Púrpura

Púrpura é o símbolo do império e da riqueza, mas tem conotações com penitência e com a solenidade da Quaresma na liturgia cristã. Embora descrito (como no Real Arco, por exemplo) como ”um emblema de união, sendo composto de escarlate e azul”, acredito que essa tenha sido uma explicação algo arranjada. Um fato interessante, que aparentemente escapou à maioria dos escritores sobre o assunto, é que na Cabala a palavra hebraica para púrpura, argaman, é mneumônica, representando as letras iniciais dos nomes dos cinco anjos principais no esoterismo judaico.

d) Vermelho

Vermelho ou escarlate, a cor do fogo e do calor, é tradicionalmente associada à guerra e aos militares. Em Roma, o paludamentum, a veste usada dos generais, era vermelha. A cor do sangue é naturalmente associada à idéia de sacrifício, luta e heroísmo. Também significa caridade, devoção, abnegação, talvez relembrando o pelicano que alimenta a prole com seu próprio sangue.

No hebraico, o nome do primeiro homem, Adão, é associado a vermelho, sangue e terra. Essa conexão com terra pode explicar, talvez, a associação do vermelho com as paixões, o amor carnal e os cosméticos usados pelas mulheres para atrair os homens.

e) Verde

“O verde tem sido associado diretamente às idéias de ressurreição e imortalidade. A acácia maçônica tem sido um símbolo de vida moral, renascimento e também imortalidade.

Para os antigos egípcios, verde era a cor da esperança. Como já dissemos, a Grande Loja da Escócia adotou o verde como sua cor emblemática. Em várias tonalidades, o verde está incorporado nas vestimentas e paramentos de Graus e Ordens associadas à Maçonaria na Inglaterra, Escócia e Irlanda.

f) Amarelo

O amarelo só é visto raramente na Loja. É uma cor ambivalente, representando tanto o melhor como o pior. É a cor do latão (brass, liga de metal) e do mel, mas também do enxofre e da covardia. Amarelo é a perfeição da Idade do Ouro, da qualidade sem preço do Tosão de Ouro e das maçãs douradas das Hespérides. É também a cor do retalho costurado às roupas, imposto aos judeus como marca de infâmia.

No século XVI, a porta da casa de um traidor era pintada de amarelo. Mas o simbolismo mais memorável do amarelo é aquele que nos lembra o ouro e o Sol.

g) Preto

As três cores fundamentais de todas as civilizações européias, até a Idade Média, eram o branco, o vermelho e o preto. Essas, também, podem ser consideradas as principais cores da Francomaçonaria: o branco dos Graus Simbólicos, o vermelho do Real Arco e de certos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito e o preto de outros Graus deste mesmo Rito e dos Cavaleiros de Malta.

Tradicionalmente, o preto é a cor da escuridão, da morte e dos mundos subterrâneos, embora não tenha sido usada para luto até meados do século XIV.

Acreditam os muçulmanos que a Pedra Negra (Caaba), em Meca, foi branca, um dia; os pecados do homem é que a enegreceram. Preto tem também aspectos positivos, como a gravidade e a sobriedade.

A Reforma protestante, na Europa, desdenhava as vestes de cores alegres. O traje formal para dia e noite continua a ser preto até hoje.


O Vermelho do REAA


J. Boucher, em sua obra “Le Symbolique Maçonnique” - Paris 1953, afirma que o Escocismo se divide, segundo as cores, em quatro grandes grupos:

  1. Maçonaria Azul (Lojas Simbólicas)
  2. Maçonaria Vermelha (Capítulos Rosacruz)
  3. Maçonaria Negra (Conselhos de Kadosch).
  4. Maçonaria Branca (Consistórios - Supremos Conselhos) 

    O Rito Escocês Antigo e Aceito, somente surgiria em terras brasileiras no dia 20 de maio de 1822. Segundo o historiador argentino, nosso Irmão Alcibíades Lappas, através de um trabalho intitulado “Algumas Revelações Sobre o Início da Maçonaria no Brasil”, com base em pesquisas na Sessão de Manuscritos da Biblioteca Nacional de Paris, apresentado no 1º Congresso da Academia Brasileira Maçônica de Letras, realizado nos dias 19 a 21 de março de 1981. 

    Os Ingleses e americanos por sua vez veem o simbolismo como azul (Blue Lodges) e os filosóficos como vermelho.  Por outro lado o Congresso de Lausanne, em 1875, aprovou um monitor, indicando que a cor do REAA seria o Vermelho, estabelecendo inclusive um avental, segundo a imagem ao lado.

Mas de onde teria vindo esta cor? Bem, inicialmente temos que pontuar algumas coisas, o REAA nasceu em 1801 apenas como graus filosóficos e foi receber um simbolismo apenas em 1804 na França. Em muitos países (como a Inglaterra) trabalha sem simbolismo até hoje. Assim, sua associação com o azul simbólico mais antigo não era tão forte.

   Por outro lado o vermelho é a cor dos Stuarts e está até no brasão deles, não é? Não! O Brasão Stuart, como se vê ao lado, não tem vermelho!

Mas então porque o vermelho ficou relacionado à eles e acabou sendo escolhido em Lousanne?  Há várias teorias para isso, talvez nenhuma verdadeira ou talvez todos tenha contribuido. Vamos a algumas delas.

Caslelanni nos fala que o Vermelho seria a cor cardinalícia, dos príncipes da Igreja e que, como os Stuarts eram católicos, isso teria sido associado a eles. 

Outra teoria diz respeito aos Straigth ou square masons ou maçons das retas em comparação aos Round ou Arch masons, os maçons das curvas. Segundo Neville B. Cryer,  os primeiros eram os encaregados das paredes e dos cantos, eram mais simples e em maior quantidade. Os Roud Masons construíam os arcos e abóbadas, naturalmente eram mais caros e especializados. 

A questão é que Azul era a cor dos maçons das retas e vermelho a cor dos maçons das curvas. Esta noção hierárquica pode ter levado os Jacobitas Franceses a optar pelo vermelho, como a indicar serem uma categoria superior de maçons, dedicados aos altos graus. 

Outra hipótese é a de que quando  Walter Fritz Alan casou-se com a filha de Robert The Bruce dando inicio à dinastia Stewart (prestem atenção na grafia, pois a o afrancesamento gerou a palavra Stuart) ele era Hight Steward (com D) da casa real da escócia.  Só que, como visto acima, o Grande Mordomo (Steward) da Grande Loja usava vermelho como distinção desde 1731.  Considerando que o REAA se formou inicialmente na França e que a padronização de cores se deu em Lausanne, da confusão dos nomes para a confusão das cores teria sido um pulo. 

De uma maneira pragmátrica,  João Guilherme Ribeiro em "Os Fios da Meada", nos apresenta uma divisão interessante. Para os Americanos, a maçonaria teria uma divisão horizontal, ou seja, a maçonaria azul para os graus simbólicos e a vermelha para os filosóficos. Por outro lado a visão francesa que prevaleceu no  Congresso de Lausane (1873) foi vertical,  enxergando o REEA  vermelho de um lado e os demais ritos em azul. 

É impossivel afirmar qual destas teorias está certa ou errada. Nosso objetivo aqui é marcar dois pontos. Primeiro, a História é tão incerta que não seria sábio afirmar  definitivamente porque o REAA é vermelho; foi um processo no qual, certamente, contribuíram vários fatores. Segundo, é que todas as razões místicas e filosóficas parecem ter sido estabelecidas DEPOIS. Isso não invalida os ensinamentos e a mensagem das cores, na maçonaria e no REAA. Afinal, no começo, todo o símbolo é arbitrário. Que esta dúvida sirva exatamente para apaziguar as discussões e nos focarmos naquilo que realmente importa: o ensinamento.


A Cor do simbolismo do REAA no Brasil

É fato sabido que os Grandes Orientes independentes da COMAB, após a sua cisão, escolheram o vermelho no simbolismo como um retorno histórico, mas como o REAA no Brasil ficou azul, afinal de contas? 

Segundo a Revista Astréa 118, o Rito Escocês Antigo e Aceito,  surgiria em terras brasileiras no dia 20 de maio de 1822. Segundo o historiador argentino, nosso Irmão Alcibíades Lappas, um grupo de 15 Irmãos estrangeiros, composto por intelectuais, artistas, negociantes, políticos, nobres, como Jean Baptiste Debret, Mariano Pablo Rosquellas, Johan Mortiz (Mauricio) Rugendas, dentre outros, que vieram organizar e constituir a Academia Real de Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro, criaram a primeira Loja a trabalhar no REAA, com o título distintivo de “Bouclie D’honneur”, cuja tradução para o português é “Escudo de Honra”, fundando, também, no mesmo dia, um Capítulo Rosa Cruz com o mesmo nome. 

Já para outros historiadores,  a primeira Loja a trabalhar no REAA no Brasil, tinha sido a Loja “Educação e Moral”, fundada por Gonçalves Ledo, em 17 de março de 1829, trabalhando clandestinamente, devido ao fechamento da Maçonaria por D. Pedro, em 25 de outubro de 1822. A “Loja Educação e Moral”, e a seguir as Lojas “Reunião Brasileira” e “Amor da Pátria”, foram instaladas no REAA, jurisdicionada ao Grande Oriente da França, pelo Irmão João Paulo dos Santos Barreto, que possuía uma Carta de Autorização do Grande Oriente da França, expedida em 29 de agosto de 1822.

Seja qual a versão que adotemos, o REAA não foi o primeiro Rito a chegar ao Brasil. Nossas primeiras lojas era adonhiramitas; o rito havia se originado na França, que seguia a Grande Loja dos Modernos e usava o azul (claro). Quando houve a fundação do Grande Oriente Brasílico optou-se pelo Rito Moderno, que também é Françês e azul. Assim, quando o REAA chegou ao Brasil, pode ter sido apenas natural seguir usando o azul Claro no Simbolismo.  Ainda mais lembrando que o REAA nasceu  apenas como filosófico, o que contribuiria ainda mais para ver esta separação com naturalidade.  

Se avançarmos no tempo, esta vinculação fica ainda mais sólida, com a subordinação do Supremo Conselho à potência simbólica; tornando ainda mais natural manter o azul.

Outra visão nos coloca que o Azul teria sido adotado por Mario Behring quando da cisão de 1927 a fim de se aproximar dos americanos e ingleses. Se por um lado Behring, de fato, fez ajustes no rito com essa finalidade, como a troca dos painéis dos graus e a adoção das colinetas para os vigilante, por outro lado, não há indício anterior de uso de aventais vermelhos (no simbolismo). Todavia, observa-se que era a cor mais usada na decoração das Lojas escocesas, como se vê na imagem do Templo da Loja União Constante, de Rio Grande-RS, fundada em 1840.

Adicionalmente não há registro de que esta mudança tenha sido feita por Behring, o que reforça a teoria de que prevaleceu o uso pela influência dos Ritos Franceses na fundação das obediências Simbólicas. Isso se perpetuou até o surgimento dos Grandes Orientes independentes, que resgataram o Congresso de Lausanne.


Conclusão

    Ao final deste nosso passeio, creio que podemos tirar algumas conclusões, sintetizando o que falamos.
    Em primeiro lugar, vemos que a escolha das cores na maçonaria acabou ocorrendo de maneira mais ou menos arbitrária, levando em consideração várias outras coisas, antes do simbolismo em si.
    A despeito disso, o simbolismo das cores é muito antigo no ser humano, sendo parte de nosso inconsciente coletivo, merecendo meditação e estudo.
    A cor do REAA, enquanto Rito, é vermelha. Não por ser a cor dos Stuarts, mas, possivelmente, por uma confusão de tradução que acabou se fixando. Por outro lado, a cor  usada no simbolismo acaba dependendo da Potência Simbólica e não do Rito em si. 
    Em resumo, a escolha da cor de uma obediência maçõnica varia muito, seja pela evolução histórica daquela potência (caso do Brasil),  ou por conotações políticas daquela escolha (Inglaterra). Apesar disso, há uma grande prevalência do azul.



A Arte Maçônica de Ser Um Cavalheiro

 A Arte Maçônica de Ser Um Cavalheiro  

 

 

Recortado de: Square Magazine


Uma rápida pesquisa no Google para a definição de "um cavalheiro" retorna: um homem cavalheiresco, cortês ou honrado.

Mais simplesmente, o termo poderia ser definido como um homem que tem altos padrões em todos os aspectos de sua vida.  De fato, um cavalheiro pratica todas as virtudes públicas e domésticas. Isso deve soar familiar pois também é o que se espera de todos os maçons.

Para entendermos a mensagem, não precisamos olhar além da iniciação. Desde o início, esta parte importante da cerimônia de primeiro grau define a Maçonaria como uma "instituição antiga e honrada".

Ela continua a derivar o status honrado da ordem a partir do fato de que tem uma tendência natural para fazer aqueles que são obedientes aos seus preceitos pessoas melhores.

Nesta declaração de abertura, temos a admissão de que a Maçonaria contém as regras para se tornar um cavalheiro perfeito. Quais são essas regras de comportamento cavalheiresco?

O primeiro conselho dado é agir exemplarmente no cumprimento de nossos deveres civis.  Devemos evitar qualquer ação que busque minar os ideais de paz e ordem na sociedade. Além disso, quando estamos no exterior, recomenda-se que sigamos as leis daquele país o tempo todo.

Também nos dizem que devemos sempre lembrar de nosso apego sagrado e indissolúvel com aquele país de onde derivamos nosso nascimento e sua educação infantil.  Em outras palavras, devemos ser leais ao país em que nascemos, e a defender suas leis e tradições. Essencialmente, não devemos ter medo de ser exemplares e protetores dos caminhos do nosso país de origem.  Especialmente, ao que parece, diante dos sentimentos atuais que estão se proliferando ao redor do mundo em relação ao chamado isolacionismo.

Continuando, a preleção então recomenda que pratiquemos todas as virtudes domésticas e públicas por sermos prudentes, temperados (exercer moderação), ter força e ser justo. Essas quatro qualidades são essenciais para ser um cavalheiro. Aquele que as dominou será, por definição, considerado confiante em suas próprias convicções.

Essa pessoa estará sempre ciente de seu ambiente social e estará ciente de que seu próprio comportamento afeta as pessoas ao seu redor.  Portanto, ele selecionará cuidadosamente linguagem e ações apropriadas. Claro, somadas a essas virtudes do indivíduo são benevolência e caridade. O cavalheiro está sempre pronto para ajudar aqueles em necessidade.

As quatro virtudes por Jacques Patin


 Outras importantes "excelências de caráter", às quais a preleção se refere, são sigilo, fidelidade e obediência. Esta seção está realmente falando sobre como os maçons devem se comportar no contexto das reuniões de artesanato e hospedagem. No entanto, por simples indução, é evidente que essas qualidades devem ser praticadas em geral.

Certamente, devemos ser discretos quando alguém confia em nós. Devemos sempre nos abster de ser atraídos para fofocas, no pleno conhecimento de que as pessoas não querem que seus assuntos sejam discutidos abertamente.  Além disso, há também um elemento de sigilo pessoal que é praticado pelo verdadeiro cavalheiro.  Como regra geral, assuntos pessoais de qualquer tipo devem ser evitados em discussão aberta.

A fidelidade geral e a lealdade são obviamente importantes na vida. A palavra de um cavalheiro é seu vínculo, e ele é leal até o fim.  No entanto, esta parte da preleção também menciona que deve-se abster-se de discutir todos os temas de natureza religiosa ou política.

Estes são tabus gerais há séculos, mas parecem estar se dissolvendo nos últimos anos. As mídias sociais, uma extensão e adição ao fórum social tradicional, trouxeram a aparente necessidade de discutir opiniões políticas e religiosas longamente.


Naturalmente, isso muitas vezes leva atrito e ao mal-estar. Claro, a maioria das pessoas tem uma opinião quando se trata de religião e política, e nem todos podem concordar. Faz sentido que cada um mantenha sua opinião para si mesmo sobre esses temas divisivos, apenas por uma questão de civilidade.

 A excelência final do caráter é a obediência. Isso, é importante na vida. Simplesmente obedecer à lei manterá nossas vidas funcionando sem problemas.  Existem regras em todos os lugares e garantir que as sigamos reduz o atrito e o caos em nossos sistemas.

Onde há regras e leis injustas, então estas devem ser combatidas com civilidade e inteligência. No final, a preleção nos exorta a nos dedicar a tais atividades que serão capazes de nos tornar respeitáveis na vida, e úteis à humanidade.

O cavalheiro ideal não descansa preguiçosamente, sem fazer nada de útil. Na verdade, ele faz o melhor uso de si mesmo e seus talentos para ser de serviço máximo.

Claro, sua fortaleza também lhe dá uma boa ideia de como ele deve ser compensado, conforme necessário, por seus esforços.

Sempre me lembrarei de um respeitado preceptor de instrução me dizendo que se eu aprendesse esta preleção, o mais rápido possível, então eu saberia o mais importante que a maçonaria tem à ensinar.

 

A maçonaria não deve ser considerada como um hobby, mais um modo de vida.

Não é por acaso que as diretrizes do comportamento maçônico são também as do cavalheiro. Pode até ser dito que a Maçonaria é o maior clube dos cavalheiros de todos os clubes de cavalheiros, se você perdoar a expressão.

É minha observação que os padrões do passado recente estão fraquejando.

Parece haver cada vez menos respeito no mundo, e a geração mais jovem pode ser observada, em alguns casos, como não tendo ideia real de que existem observâncias sociais que podem ajudá-los imensamente.

Embora, talvez essa observação aconteça a todos, em todas as gerações, uma vez que atingem a idade certa.

Independentemente disso, se comportar como um cavalheiro não é uma coisa ruim ou antiquada. Ao garantir que observemos essas diretrizes sociais, nossas experiências e interações com os outros continuarão a ser verdadeiramente aprimoradas.

 

 

Artigo por: Craig Weightman   

 Craig Weightman cresceu em Hinckley, Leicestershire e foi educado na Universidade de Leicester, obtendo um diploma em Psicologia e Ciência da Computação.
     Ele foi iniciado na maçonaria em 2003, e tornou-se mestre de sua loja em 2014.
     Fora de seus interesses na Maçonaria, Craig é professor de Design de Jogos de Computador e Ciência da Computação em uma faculdade em Warwickshire. Ele também desenvolve sites para empresas.
       Craig é o autor do livro "Uma Jornada em Pedra".

 

 Tradução: Paulo Maurício M. Magalhães

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